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Sagres é a vila mais sudoeste da Europa continental.
Por que era considerado o Fim do Mundo?...
A Escola Náutica do Infante D. Henrique Nautical existiu?
Um pouco de história...
A palavra Sagres deriva do latim “Sacris”, que significa "sagrado". Vários testemunhos fazem referência a esta região designando-a de “Finis Terrae”, por causa da descida abrupta dos rochedos sobre o mar, e que determinava o fim da terra e o início do desconhecido, dos mitos.
Sagres e o Cabo de S. Vicente – o Promontorium Sacrum dos Antigos – eram lugares de antiga e intensa sacralidade, demonstrado pelo grande número de menires neolíticos existentes. Há também relatos antigos de cerimónias religiosas e de proibição da presença de pessoas no local durante a noite, por ser frequentado por deuses.
Mas Sagres entra definitivamente na História e na Lenda do Mundo Antigo quando, a partir do III Milénio a.C., os marinheiros do Mediterrâneo transformam em mercadoria os produtos do então extremo Ocidente. Em Sagres estava o último porto de abrigo que a navegação oriunda do Levante podia escalar, antes de se aventurarem à passagem do Cabo de S. Vicente.
Em 779, seguindo a tradição de religiosidade destas paragens, os restos mortais de S. Vicente, o mártir de Saragoça, foram deslocados de Valência para o Promontorium Sacrum, término da viagem do Oriente para o Ocidente, onde ficam depositados na Igreja do Corvo.
Três séculos mais tarde, na idade média, o Infante D. Henrique fundou uma vila e fortaleza (a Vila do Infante) na ponta de Sagres, para dar apoio à navegação e à pesca. Mas ao contrário do que se julga, este sítio não teve uma relação directa com os descobrimentos. A famosa escola náutica do Infante de Sagres parece ter sido mais um mito do que uma realidade, mas o seu rumor ainda assim percorreu muitos cantos do mundo.
Nesta zona, a costa algarvia tem dois grandes patrimónios: o Cabo de São Vicente (Pontal dos Corvos e o Pontal gordo) e o de Sagres (Pontal da Atalaia e o Pontal da Baleeira). Entre a ponta de Sagres e a ponta da Atalaia forma-se a enseada de Sagres, enseada esta que protegeu durante largos séculos os navios dos ventos, que ai se mantinham à espera condições favoráveis para a navegação. É um paraíso natural, de grande importância estratégica e histórica, tendo constituído um ponto de referência essencial na geografia europeia.
É neste cenário onde a história ganha vida, que botânicos e observadores de aves observam a fauna e a flora únicas deste local. É uma localidade que seduz os seus visitantes, devido à diversificação de sugestivos cenários, onde se confunde o agreste, o suave, o belo e o selvagem, como se tratasse de um território acabado de descobrir, todo ele esculpido pelos ventos e pelas ondas do Atlântico, convidando à sua exploração. É uma zona apaixonante de Portugal devido às suas cores mágicas, o verde dos jardins, o azul do mar, o branco das casas e o vermelho do sol. É uma região de grande afluência turística em especial durante a época balnear, mas apreciada pelos seus fiéis amantes durante todo o ano.
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Características Sócio-económicas e Culturais do Sudoeste O litoral sudoeste entre a foz do rio Mira e a ponta de Sagres caracterizou-se historicamente pela escassez da ocupação humana, não obstante ter sido percorrido por populações desde a Pré-história, que retirariam do mar a sua subsistência. Rochosa e escarpada, carente de bons portos e de terrenos agrícolas, esta faixa costeira não deu origem a qualquer povoação de dimensão significativa. A pesca empresarial desenvolveu-se, especialmente na parte algarvia do Sudoeste, através de armações de pesca, chamadas almadravas, colocadas em sítios propícios da costa, como em Arrifana e na zona de S. Vicente/Sagres. Nesses locais foram, ao longo dos séculos XVI a XVIII, erguidas fortificações para proteger pescadores e artes da acção dos piratas magrebinos.
As características sócio-económicas e culturais deste território não diferem muito da grande maioria das regiões mais a interior do nosso país. Estas têm geralmente em comum o facto de se tratarem de zonas agrícolas, com uma paisagem rural bem preservada, fracas acessibilidades, com tradições e uma cultura bem preservadas, mas como contrapartida, com uma população envelhecida, fracas habilitações, reduzida iniciativa empresarial, desemprego e estruturas sócio-culturais insuficientes.
A elevadíssima qualidade ambiental da costa sudoeste, suas praias selvagens e caminhos rurais promovem o turismo, mas ainda de modo muito sazonal, criando pressões para mecanismos de acolhimento que estão muito longe de um modelo de desenvolvimento sustentado.
Pesca
Hoje em dia os pescadores do Sudoeste fazem-se ao mar em pequenos barcos de quatro, seis metros de comprimento, com motores fora-de-bordo e alguns instrumentos de orientação e sonda. Costumam formar campanhas de dois elementos e levam ao mar artes de pesca tradicionais como os covos, o aparelho de anzol ou a rede de emalhar. Trazem desde o Polvo à Lagosta, passando pela característica Moreia e pelo Sargo fazendo desta costa um dos locais de eleição dos apreciadores de bom peixe e marisco.
Agricultura
O Litoral do Sudoeste identifica-se, hoje, com uma agricultura intensiva, exportadora e com enormes necessidades em inputs técnicos e tecnológicos. A agricultura praticada no interior é caracteristicamente familiar e tradicional, onde as práticas culturais e maneios pecuários ainda obedecem a saberes próprios de comunidades de subsistência.
Gastronomia
A Gastronomia do Sudoeste, embora semelhante à restante região, é variada e riquíssima. Junto à costa é essencialmente à base de peixe fresco e de marisco, sendo de destacar o sargo, dourada, besugo, pescada, linguado entre outras e o famoso perceve. São típicos a generosa caldeirada, o famoso arroz de polvo, ou berbigão, a sopa de peixe ou de arjamolho, a feijoada de búzios ou a até a carne de porco estufada. Na doçaria imperam a massa de amêndoa moída, os regionais D. Rodrigos e os morgados de amêndoa com gila ou figo. O digestivo típico é o figo recheado com amêndoa, que se bebe com a famosa a aguardente de medronho ou figo.
Artesanato
A madeira, o esparto, a palma, a cerâmica, rendas e bordados, assim como a doçaria regional, são exemplos da actividade artesanal que ainda se pode encontrar no concelho de Vila do Bispo. O processo tradicional da lã, do tratamento à fiação, continua vivo e proporciona a confecção de artigos como camisolas, peúgas, barretes ou luvas que a gente do mar usa na sua faina. Estes produtos podem ser encontrados nas festas de Verão e mercados mensais das terras vilabispenses.
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Onde fica ?
Sagres é a vila mais ocidental da Europa continental, situada no sudoeste de Portugal, na região do Algarve (Distrito de Faro, Concelho de Vila do Bispo). Dista 30km de Lagos, a cidade mais próxima.
Como chegar a Sagres ? Distância aos Aeroportos:
| Lisboa - Sagres |
280 Km |
| Porto - Sagres |
580 Km |
| Faro - Sagres |
120 Km |
Transporte próprio:
Transportes públicos:
| De camioneta (até Sagres) |
http://www.eva-bus.com
http://www.rede-expressos.pt |
| De comboio (apenas até Lagos) |
http://www.cp.pt |
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Editado em 2007. Créditos:
websites: IPPAR; ICN; ANTEMARE
Garcia, J.M & Cunha, R. (2004). "Sagres". (ISBN: 972-9044-17-1)
Roteiro Turístico Terras do Infante |